Itapoá.

Eu nunca senti que eu pertenço a este lugar, embora tenha vivido toda a minha vida aqui, minha família toda estar aqui, eu sempre senti que não era isso, como se tivesse sido um erro, como se eu fosse mandada pra cá no lugar de outra pessoa. É assim que eu me sinto quando estou aqui, como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa, me olhando de fora do meu corpo, observando enquanto eu perco tempo. Eu sinto que eu estou perdendo tempo, estou perdendo minha vida presa nesse lugar. Me sinto presa. Tenho vontade de fazer tantas coisas e ver tantos lugares, mas esse lugar me prende, eu não sei como sair, não sei o que fazer para mudar isso. Não é que eu odeie essa cidade, acho ela linda, maravilhosa, e está crescendo cada vez mais, mas quando olho para meu futuro, eu não me vejo nesse lugar, não consigo me ver ficando velhinha e ainda morando aqui. Casar, comprar uma casa, ter filhos, morrer.. esse sonho que tanta gente tem de morrer aqui, eu não entendo, pra mim não basta, tem tanto do mundo pra se ver e tantos lugares para se viver, como que uma pessoa se contenta em ficar onde está? Não sei se isso tem a ver com o fato de que aprendi outro idioma muito cedo, e sozinha, o que acho muito estranho, pois não me lembro nem como comecei a falar outra língua, simplesmente sei que aprendi e falo até hoje, como se estivesse dentro de mim esse tempo todo? Como se não fosse difícil pois eu já sabia, e isso me assusta um pouco. Meu corpo está aqui, mas minha mente, minha alma, todo o resto de mim já foi embora faz tempo, eu só preciso levar meu corpo junto, mas como eu faço isso? Eu queria saber como, parece um segredo que ninguém me contou, e às vezes eu acho que eu nunca vou descobrir. Quando vejo meu futuro, penso em duas versões dele, a que eu gostaria que acontecesse, e a que eu sei que vai acontecer se eu continuar vivendo do jeito que eu estou, se eu não me mover, se não fazer nenhum esforço pra mudar. Vou contar pra vocês o que eu vejo quando penso que não vou sair daqui: em 2 anos eu vou conseguir um trabalho em algum comércio da cidade, e vou trabalhar ali para sempre.. vou continuar morando com minha avó, observando enquanto ela quer reformar toda a casa à cada 5 anos, enquanto eu fecho a porta do mesmo quarto, aquele mesmo de 10 anos atrás, estarei usando o mesmo 10 anos à frente. Sento em uma cadeira na minha varanda, acendo um cigarro, pois no mesmo dia que consegui o emprego eu voltei a fumar, só assim eu conseguia aguentar enquanto o tempo passava na loja e três clientes entravam, no máximo cinco por dia, e eu olhava aquelas paredes mofadas, arrumava as mesmas mercadorias de novo e de novo, jogava fora as que não tinham mais uso, e voltava a sentar na mesma cadeira quebrada e olhar as mesmas paredes mofadas. Todos os meus colegas de escola já estão casados, já tem filhos, foram embora, fizeram da vida algo realmente bom para se viver. Eu sento na cadeira e fumo outro cigarro. Chegou o fim de semana, do trabalho direto para o bar, ver a juventude que ainda tem aquele brilho nos olhos de quem tem toda a vida pela frente, enquanto os meus já estão cinzas, como a fumaça de um fogo que está sendo apagado faz tempo, e só restaram aquela fumaça triste de um luau distante. Lá se vão 10 garrafas de cerveja, e eu chego em casa, mais um cigarro, mais uma madrugada. Cara, as madrugadas são as piores, eu me enrolo na coberta e só sei chorar até cair no sono, sem nem saber que horas foi isso, me levantando domingo as 5 da tarde sem querer abrir os olhos, sem querer levantar, já sabendo que tudo vai começar de novo, as mesmas coisas, a mesma tortura. Nada vai mudar, eu não vou casar, eu não vou ter filhos, não vou parar de fumar ou beber, não vai ter ninguém do meu lado para segurar minha mão, será somente eu e a madrugada fria, bebendo uma cerveja mais fria ainda, fumando muitos cigarros e chorando até dormir, sem nem perceber o buraco que eu me enfiei. E não será culpa da cidade, porém minha mesmo, eu não mudei, não fiz nada pra que minha vida realmente significasse algo. É assim que essa cidade faz eu me sentir, como se eu tivesse parado no tempo, quisesse ir pra frente e mudar mas não conseguisse. Ela me prende, mesmo sem querer, me paralisa, me faz pensar que não há mais nada além disso, que o futuro não existe.

Eu só queria seguir em frente. Sair daqui.

Mesmo sabendo que por mais que eu saia da cidade, ela nunca vai sair de mim.

miłość.

Não é que eu não ame ele, eu amo até demais. Eu exagero, e é isso que me fode. Eu tenho que me controlar. Não é que eu não confie nele, eu confio, ele é o único homem nesse mundo que eu confio, da pra crer nisso? Às vezes eu paro pra pensar em como ele mudou a minha vida, e não sei nem como agradecer. O problema é que eu sou fodida, minha cabeça é louca, eu penso demais nas coisas que nem aconteceram ainda, que talvez nunca irão acontecer. Eu o amo tanto. Com ele, essa parte da minha vida é perfeita, e eu não quero que isso mude. Eu gosto de deixar ele doido, doido de tesão quando mando uma foto dos meus peitos, ou quando fico gemendo baixinho na ligação.. Doido de raiva quando eu falo que ele tem outra, que ele não me ama mais, que ele não se importa comigo. Doido de saudade quando eu sumo, mesmo que isso não aconteça sempre, doido de ciúmes. Eu amo quando ele tem ciúmes, quando fica me perguntando onde eu tô, o que eu vou fazer, com quem eu vou sair. Me dá um tesão quando ele fala polonês, eu não entendo nada, mas me da arrepios, me dá uma vontade de pular no colo dele, e ouvir ele falando baixinho que eu sou tudo pra ele. Quando eu tô bem, é só no que eu penso. Só consigo pensar nos nossos corpos juntos, suas mãos passeando por cada parte de mim, agarrando minha bunda, beijando meus peitos, a gente fodendo tão intensamente que ficamos sem ar. Mal posso esperar, eu não sei explicar o quanto quero ele, o quanto quero dar prazer e deixar ele mais doido do que já deixo. Tem coisas que eu não consigo dizer pra ele, tenho medo de espantar, o assustar, pois eu acho que sinto tudo muito intensamente, e isso pode assustar qualquer um. Quando olho em seus olhos, sinto que ali é meu lugar, quero olhar pra eles pra sempre, quero me perder nos seus olhos e não me achar nunca mais. Quero o fazer feliz, tão feliz quanto eu nunca fiz ninguém nessa vida.. às vezes nem quero contar os meus problemas pois só quero que ele se sinta bem, e se esqueça que existem coisas ruins nesse mundo. Quero tanto que ele acredite quando eu falo que ele é lindo, que morro de ciúmes e tenho medo de perdê-lo por alguém que possa proporcionar tudo que quero dar pra ele, só que com mais facilidade. Existe tantas mulheres melhores pra ele, mais perto, mais disponível, sem problemas e prontas para fazer ele muito feliz. Eu tenho medo que ele encontre alguém assim, eu vou deixar ele ser feliz, mas eu sei que não serei capaz de amar alguém novamente, nunca. Me entregar novamente, de corpo e cabeça assim como fiz, será só com ele, se depender de mim eu não terei mais ninguém, mas eu não sou dona do futuro. Tudo pode acontecer, mas eu vou fazer de tudo para que ele seja feliz e não queira mais ninguém. Perdoa meus surtos, minhas inseguranças, minha mente louca e descontrolada que te vê com outra, perdoa por favor. Prometo te fazer feliz como ela nunca pode, prometo te dar tudo de mim, meu corpo é teu. Tu já sabe disso. Meu corpo, meu coração, tudo é teu. Eu nunca pensei que daria certo com alguém, eu estava certa de que iria ficar sozinha pra sempre, e aí você apareceu e mostrou que eu ainda nem sabia o que era amar, me mostrou um lado do mundo que eu nunca tinha visto, você é meu passado, meu presente e meu futuro, você é. Simplesmente é, eu continuo tentando escrever e explicar tudo o que você significa pra mim, mas não dá. Não há palavras o suficiente que demonstrem o meu amor, a minha gratidão, o sentimento que tenho por você. Como que isso aconteceu? Como você fez isso comigo? Caramba, não faz nem um ano que eu te conheço, mas não quero mais perder um sequer segundo da vida sem você. Agora tudo que eu sei escrever é sobre você, e são os únicos textos que ficam bons, mesmo os que não são tão positivos assim. Ninguém é perfeito né? Muito menos eu e minhas paranoias. Mas eu posso tentar, por você. Por você eu sinto que sou capaz de tudo!

Vem logo pra gente foder até amanhecer, você sabe como eu sou, só de pensar em você já tô com tesão.

Te amo, amor.

Só pra avisar, quando você chegar, não vou te largar nunca mais.

Me beija com raiva.

Eu olho pra ele, e não o vejo mais. Não sei mais quem ele é. Ele estava fingindo esse tempo todo? Me pergunto se ele ainda me ama com aquela intensidade que me amava no começo.. Dizem que em um relacionamento tem sempre aquela pessoa que ama mais do que a outra.. acho que essa pessoa sou eu. Eu olho pros seus lábios, eu quero devorá-lo, quero sentir sua barba na minha coxa, me deixando com mais tesão, sua língua conhece cada parte do meu corpo, partes que nem eu conheço ainda. Sua pele é tão macia, quero beijar cada parte do seu rosto, cada parte do seu corpo, quero ele só pra mim, não quero dividir, não quero sair a passeio e mostrá-lo para o mundo, quero ser egoísta e que ele só tenha olhos pra mim. Quero sua paixão ardente quando a gente fode de quatro, na nossa posição favorita, meu corpo tremendo de prazer, um prazer que só ele sabe me dar. Quero a atenção dele só pra mim, mas não só quando tá me comendo. Quero ser o primeiro amor dele, e também o último.. Quero que ele me olhe e não consiga respirar, quero que ele tente me explicar o quanto me ama mas não consiga colocar em palavras. Quero que o peito dele sofra como o meu quando sinto a falta dele, quando não me responde, quando tá bravo comigo, quando some. Quero quebrar cada parte dessa casa quando penso que talvez ele tenha outra, quero chorar também, mas principalmente quebrar tudo. Quero o amor dele só pra mim. Quero que ele fale, mostre, demonstre que não há mais ninguém. Quero ele presente mesmo distante, quero que seja só nós dois pela eternidade, quero que ele não se canse de mim. Há tantas coisas que eu quero. Quero ele aqui comigo, quero ele nos meus braços, sentir seu toque e me falando que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que não vai. Não há mais ninguém como ele, eu nunca amei ninguém dessa forma, caramba, eu nunca amei antes de você, estou aprendendo agora o que é amor. Mas porque ele está ausente? Porque não me responde? Não me quer mais? Talvez tenha outra. Talvez tenha outras. Talvez seja sexo, já me disseram que homem não consegue ficar muito tempo sem sexo, talvez seja isso. Eu não quero viver sem ele, eu consigo, sabe? A vida continua, mas eu não quero viver sem ele, me recuso. Minha mente ferve entre pensamentos que pegam fogo, só tem ele na minha cabeça. Os pensamentos voam entre eu e ele fodendo a noite inteira, brigando, sobre nosso futuro. E aí vem uma imagem dele com outra, mandando mensagem pra mim enquanto a abraça.. dizendo que me ama enquanto beija o pescoço dela. Minha mente é turbilhão de incerteza. Pensamentos loucos mas todos sobre ele. Cada dia mais, eu só penso nele, eu tô ficando maluca. Ele não me liga mais, acho que cansou, eu sempre tenho que pedir, mas mesmo pedindo, ele não liga. Acho que eu não sou o amor da sua vida. Mas ele é a minha vida todinha..

Dizem que em um relacionamento, sempre tem alguém que ama mais do que o outro.

Eu acho que eu sou esse alguém.

Lost.

Eu sei lá, só me sinto perdida. Em tudo. Tempo perdido, atitudes em vão, momentos que nunca mais irão voltar. Eu não sei o que fazer, como agir, que atitude tomar. Não sei qual será meu seguinte plano. Não sei o que fazer. Perdida. É estranho pois uma parte da minha vida parece que está completamente perfeita e bem pela primeira vez em muito tempo, mas a outra parte continua uma bagunça. Parece uma bola de neve que só aumenta e eu não sei o que fazer em relação a isso, eu sinto que eu tô perdendo tanto tempo, eu me acho tão burra. Como que eu não sou capaz de tomar um rumo na minha vida? Estúpida, burra. As pessoas dizem que aos 23 você ainda é nova, você vai saber o que fazer, ainda tem tempo. Não parece. Porque eu me sinto inútil? Me sinto pior do que quando era adolescente, pois pelo menos eu tinha um propósito: estudar. Está aí a palavra que eu estava procurando: propósito! Eu não tenho propósito nenhum, eu não tenho nada. Sabe quando você é criança e te perguntam “o que você quer ser quando crescer?” e aí você cresce e ainda não tem uma resposta pra essa pergunta. Nada. Eu não quero ser nada.

Mas o que você quer estudar? Quer fazer alguma faculdade? Não, eu não quero fazer nenhuma faculdade, nada me interessa, eu não quero estudar mais ainda, eu odeio estudar.. Mas qual o meu propósito nessa vida? O que eu devo fazer? O que eu devo cumprir? Eu sei o que eu quero, mas isso é diferente de ter um propósito. São coisas que eu quero fazer e lugares que eu quero ir, mas não sei como fazer pra chegar lá ainda. É como quando você vê um documentário sobre algum atleta, cantor, etc.. e ele fala que desde criança sonhou com aquilo e batalhou muito para chegar onde está! E caramba, como você se sente inspirado! E você que tá batalhando, continua né? Pois quer chegar lá também.. Mas tudo o que eu penso, é lá aonde exatamente? Pois eu nunca tive um sonho dessa magnitude, um que me faça pensar “por mais difícil que seja agora, eu vou continuar batalhando, pois cada dia estou mais perto de realizar o meu sonho”.. Isso nunca aconteceu comigo. Eu me sinto vazia, e acho que isso é ainda pior do que se sentir perdida. Perdida e vazia. O que eu vou fazer? Às vezes eu gostaria que alguém me dissesse, seria muito mais fácil. Qual o meu sonho? Qual o meu propósito? Eu não tenho nenhum dos dois. Então, o que eu tenho? Uma vida vazia. Uma vida perdida e vazia.

Eu não sei o que fazer.

Lost and empty.

You just wasted my time.

Parte 1 > Striptease.

Quando acordei parecia que tudo tinha sido um sonho, mas olhei em volta para o triste quarto de hotel no qual estava e lembrei que de fato foi tudo real, e a partir desse domingo eu seria uma stripper. Levantei da cama e mandei uma mensagem para minha melhor amiga, Katherine, e pedi para ela encontrar comigo para conversarmos durante o café da manhã. Ela já sabia que eu estava separada e de tudo que tinha acontecido, mas não sabia que tinha encontrado um trabalho e o que seria, ela era garçonete em uma lanchonete próxima ao hotel e iriamos tomar café ali mesmo e contaria a ela a verdade, sem saber o que pensaria disto, esperando algum apoio pois eu mesmo estava com dificuldades de aceitar esse novo lado da minha vida. Troquei de roupa rapidamente, abri a geladeira e já sabia o que ia encontrar: uma garrafa da água e uma maçã, seria fácil manter o corpo de dançarina com essa dieta. Tomei um pouco da água, peguei minha bolsa e sai, tranquei a porta do quarto e me encaminhei em direção a lanchonete a pé mesmo, não levaria 5 minutos. Chegando ela já estava lá sentada a mesa, fiquei nervosa e o estômago falhou, também devido a fome que eu estava.

— Oiii! — dei um abraço apertado nela e sentei a sua frente — Como você está? Senti sua falta, a gente tem que se ver mais.

— Também sinto muito sua falta, mas as coisas estão difíceis ultimamente. Tenho pegado mais turnos aqui na lanchonete, e queria te dizer que isso está ajudando mas infelizmente não. — Ela fala com um sorriso triste no seu rosto, o olhar distante — Desde que eu e Brian terminamos, as coisas andam apertadas pois tenho que me manter sozinha, seria ótimo se você pudesse ir morar comigo, a gente se ajuda sabe? Falando nisso, como você está? Conseguiu algum emprego?

Eu e Katherine terminamos com nossos parceiros quase na mesma época, a diferença foi de um mês. Ela e Brian terminaram pois não havia mais paixão entre os dois, apenas comodidade. Logo em seguida ela me chamou para morarmos juntas, mas disse que até conseguir um emprego não conseguiria ajudar ela no aluguel, e agora estava prestes a lhe contar a novidade.

— Então, sobre isso.. — encarava minha xícara de café enquanto tentava sobre o emprego — .. eu finalmente consegui um emprego, mas não de bartender. — Quando consegui a encarar, seu olhar demonstrava confusão. — Fui até a boate que te falei, já estavam prestes a fechar, falei com a moça do caixa mas ela me disse que o quadro do bar já estava com funcionários o suficiente, mas me disse para esperar pelo dono que logo iria aparecer e ela falaria com ele. Quando ele chega, me olha dos pés a cabeça e me pede pra dançar pra ele, que seria a única vaga que ele teria, no começo pensei em negar, mas você sabe como as coisas estão na minha vida, e no fim do dia ainda é um emprego, então dancei pra ele e me deu um dia no fim de semana para me apresentar e ver como me saio.

Bem no momento em que terminei de falar chega a garçonete com nossos pedidos, ovos e bacons com um bagel. Dois cafés quentes com açúcar. Ela me olha meio incrédula e em dúvida, já posso pressentir as perguntas. Agradecemos a garçonete e ela se vai, abrindo espaço para as perguntas.

— Como assim dançarina? Você tirou a roupa pra ele? Você vai ser uma stripper? — Ela respira fundo enquanto começa a comer e me olha com mais perguntas. — Eu não esperava isso de você, não por ser stripper, mas por ser você, nunca achei que levaria jeito, e olha não vou te julgar pois eu mais do que ninguém sei que tudo está muito difícil, e afinal é um trabalho. No fim, você vai ganhar mais do que eu nessa merda de lanchonete hahaha mas falando sério agora, jamais que Jake pode saber disso, se não ele nunca mais vai deixar você ver sua Amy, vai pedir a guarda, você sabe disso certo?

— Sim, eu sei. — Olho pra ela preocupada. — Ele jamais pode saber disso, mas eu preciso se quiser ter ela na minha casa. Hoje mais tarde vou me encontrar com ele pra poder ver minha Amy um pouco, e vou lhe dizer que vou trabalhar de camareira em um hotel chique do centro, assim ele não me enche mais. Espero que em algumas semanas consiga o aluguel pra poder morar com você, o que acha?

— Sim, você sabe que me ajudaria muito, é o que eu mais quero e adoraria morar com você, te conheço muito bem. — Ela sorri para mim. — Estou feliz que tenha conseguido algo, agora poderá acertar sua vida novamente, acredito que não precisará trabalhar muito tempo, só o suficiente pra guardar dinheiro para se mudar com Amy.

Mal sabia ela, e tampouco eu, que acabaria gostando do que faço, e permanecendo mais que o necessário. Terminamos o nosso café e nossa conversa, como sempre Katherine não deixou eu pagar por minha parte. — Semana que vem você paga. — Disse ela pensando em meu novo emprego. Peguei um táxi e fui em um parque um pouco longe do hotel, onde marquei com Jake para poder ver Amy. Chegando, eles já estavam lá, e fiquei com lágrimas nos olhos ao vê-la, pois estava com muitas saudades daquele rostinho. Ela correu para meus braços e ficamos abraçadas por um bom tempo, depois de mãos dadas ficamos dando algumas voltas pelo parque, com o olhar de gavião de Jake encarando, dizendo em silêncio para não nos afastarmos. Ela me contou tudo, desde a escola até em casa, como seu pai não sabia cozinhar e sempre comprava comida pronta, nunca queria brincar com ela e dizia que eu não a amava. O que deixou meu sangue fervendo, mas só garanti a ela que isso nunca iria acontecer, e que ela era a única pessoa que eu ia amar pra sempre, não importa o que acontecesse. Contei do novo emprego da mamãe, em um hotel como camareira, e que logo terei um apartamento com tia Katherine e ela poderá morar com a mamãe. Coloquei ela na cadeirinha do carro e dei a volta para falar com seu pai.

— Você pode falar qualquer merda que quiser sobre mim pra ela, a vontade, mas nunca mais diga que eu não a amo, porque vou fazer você se arrepender disso. E mês que vem ela vai passar uns dias comigo, vou morar com Katherine, consegui um emprego.

Virei as contas e o deixei falando sozinho, só o ouvi gritar um “vadia” da janela do carro. Ele não sabia ainda que poucos meses é o que ele teria com a filha, e não por minha escolha, pelas suas péssimas decisões de vida mesmo. Pois a vida é engraçada e tem dessas, em um dia você pode estar tendo o pior momento de todos, mas não se esqueça, o mundo gira, e gira rápido, e sua glória pode não ser eterna. Decidi ir para casa caminhando pela praia, para esfriar a cabeça e organizar as idéias, começar minha vida nova. 3 dias para vida nova. 3 dias até eu ser Steph.

 

Striptease.

Let me see that ass. Com as músicas dele fica mais fácil dançar, e torna o trabalho menos difícil. Quando você é criança e te perguntam o que você quer ser quando crescer, com certeza você não diz stripper, mas a vida é complicada e nada sai como a gente quer. Vou resumir a história pra ficar mais fácil pra você. Quando estava terminando o ensino médio eu o conheci, Jake. Eu achava que o amava, mas não sabia realmente o que era amor naquela época, hoje eu sei que definitivamente não era o que eu estava sentindo. Jake era gentil, carinhoso, me olhava como se eu fosse a estrela principal do seu filme favorito, hoje eu canso de receber olhares como o dele. Não sabia direito com o que ele trabalhava, mas sabia que sempre tinha dinheiro e presentes, e me prometeu uma vida com a qual eu não iria me arrepender de viver ao seu lado. Acreditei. Depois que nos casamos, ele perdeu seu emprego, e as coisas começaram a ficar mais difíceis, foi aí que ele começou a roubar. No início eram coisas pequenas, o suficiente para vender e gastar com o que queria. Eu estava trabalhando como bartender para um club de ricos, famosos e políticos, onde em Los Angeles era normal, o salário não era muito bom mas conseguíamos sobreviver, eu trabalhando e ele roubando. Não quis aceitar e fingia que não sabia de onde vinha o dinheiro, ou as coisas valiosas que ele conseguia, olhava para o outro lado e não queria saber onde tinha me metido. Tudo se complicou mais quando engravidei, não poderia mais trabalhar e as coisas ficaram mais difíceis ainda. Quando Amy tinha 1 ano nos separamos, não conseguia mais aceitar o fato dele roubar para viver e nos expor ao perigo, as brigas aumentaram, apesar de nunca me bater as coisas estavam impossíveis dentro de casa então ele me expulsou e disse que só poderia vê-la quando arrumasse algum lugar para ficar, me deu um dinheiro para arrumar um hotel, o que não conseguiria pagar nem uma semana de estadia, e fechou a porta da minha vida. Como pude algum dia achar esse homem gentil? Tudo fica cego quando estamos apaixonados, é como se eu estivesse de porre todo o tempo que estávamos juntos, e não vi como ele era. Achei um hotel na Sunset Strip, que coincidência! Próximo ao Dancing with the Devil, e fui até lá para ver se conseguia um emprego de bartender, devido a minha experiência, e nunca imaginei que minha vida mudaria tanto naquela noite.

— Boa noite! Gostaria de saber se há a possibilidade de estarem precisando de novos bartenders no momento?

— Boa noite querida! — me respondeu a moça do caixa, uma morena que aparentava ser muito nova para estar ali, mas com seus olhos experientes demais para sua idade — Sinto muito, mas nosso quadro de funcionários para o bar está fechado. — me olhou dos pés a cabeça, me deixando constrangida — Vejo que você é bonita demais para ser apenas uma bartender, e percebo que está precisando muito desse emprego, pois somente alguém com muita necessidade viria pedir emprego em um lugar como este. Sente-se e aproveite a noite, bebidas por minha conta, e quando fecharmos te apresento o dono.

— Obrigada!

Não podia acreditar, e no momento estava rezando para que o emprego que me aparecesse fosse tudo, menos stripper.. Nunca havia visto uma, nunca havia dançado dessa forma em minha vida, não iria conseguir, pensei até em me oferecer para cuidar da limpeza do club, mas nada adiantou para o dono da empresa.

— Boa noite docinho, soube que está procurando um emprego?

No fim da noite, me apareceu este homem adulto, diferente de tudo que imaginei que um dono de um club como este seria, simples, alto e muito bonito, cabelos escuros e olhos azuis como a piscina, e parecia que adorava tudo na vida, menos aquele lugar que lhe pertencia. Seu olhar transmitia dor, e se encontrou com o meu, que honestamente demonstrava o mesmo.

— Sim, senhor. Mas não sou stripper, e sim bartender. Não traria lucros para o senhor.

— Dance pra mim e eu decido isso. Não tenho vagas em aberto para o bar, honestamente para lugar nenhum, mas uma nova dançarina é sempre bem vinda. Deixa que eu decido se você é boa o suficiente pra mim ou não. Qual o seu nome?

— Carrie, mas honestamente eu não acho que..

— Dance. Posso ver a dor nos seus olhos, e não há nada do que homens que não tem nada a perder gostem mais do que ver uma garota gostosa dançando com dor em seus olhos, use isso e ganhará muitas gorjetas.

Não pude dizer não.. na verdade, pude sim, ninguém estava me obrigando a nada, mas eu precisava de dinheiro, e pensar que alguém me achava bonita o suficiente para fazer aquilo, boa o suficiente, e ainda o fato de que iriam me desejar, me observar e me querer me fez ter um pequeno desejo de fazer aquilo, sentia meu corpo arrepiar. Escolhi uma música e pedi pro DJ tocar, e aquela música me mostrou quem eu realmente era, a pessoa que nem eu sabia que estava dentro de mim, e aquele homem a libertou. Estava com um vestido não muito curto e o seu estilo não era muito de uma dançarina, mas tinha que improvisar. Subi ao palco com uma cadeira, posicionei no meio e sentei esperando a música começar.

(Antes de começar a ler esta parte, coloque para tocar a música Wicked Games – The Weeknd)

I left my girl back home

Joguei o pescoço para trás, as mãos no quadril, subindo na minha cintura, sentido a lateral dos meus seios, acariciando meus cabelos enquanto olho para frente com os olhos semicerrados

I don’t love her no more

Apertei minhas mãos no meu peitoral como se alguém tivesse me batido com força, mexi meu quadril ainda sentada na cadeira e fui levantando lentamente

And she’ll never fucking know that, these fucking eyes that I’m staring at

Já de pé, firmei meus olhos nos dele, e deixei nossa dor se encontrar, enquanto dançava indo em sua direção, com os passos no ritmo da música

Let me see that ass, look at all this cash, and I emptied out my cards too, now I’m fucking leaning on that

Chegando na sua frente, puxei meu vestido para cima e o soltei lentamente, movendo meu corpo até o chão e subindo novamente, sem desviar de seu olhar em nenhum momento, comecei a abrir os botões de meu vestido, que ficava na parte da frente do corpo

Bring your love, baby, I could bring my shame, bring the drugs/ baby, I could bring my pain

Conforme a batida da música abri meu vestido por completo, o provocando, ainda não o tirei, apenas brinquei com ele e o puxava para um lado e para o outro, enquanto passava a mão em meus seios e em meus cabelos, rebolando lentamente em sua frente

I got my heart right here, I got my scars right here

Me abaixei até o chão do palco e fiquei de joelhos, brincando com o vestido o soltei dos meus ombros deixando apenas pendurado em meus braços, enquanto sentava no chão e o encarava

Bring the cups, baby, I could bring the drank, bring your body, baby, I could bring you fame, and that’s my motherfucking words too just let me motherfucking love you

Com calma, fui tirando o vestido de um braço e em seguida do outro, o deixando cair atrás de mim, fechei meus olhos por alguns instantes enquanto me inclinava para trás ainda de joelhos no chão, e mexia minha cintura para cima e para baixo

Listen, ma, I’ll give you all I got, get me off of this, I need confidence in myself, listen, ma, I’ll give you all of me, give me all of it, I need all of it to myself

Me levantei do chão o encarando e vi que não havia tirado os olhos de mim, fui até o pole e comecei a dançar rebolar até o chão, subindo e descendo lentamente, dando voltas, abraçando meu corpo como se estivesse prestes a me entregar por completo para ele

So tell me you love me, only for tonight, only for the night, even though you don’t love me

Brinco mais um pouco com o pole, desço até o chão e fico de quatro indo em sua direção, já na ponta do palco me coloco de joelhos e começo a mexer no cabelo com uma mão enquanto com a outra abro meu sutiã, porém ainda não o tiro

Just tell me you love me, I’ll give you what I need, I’ll give you all of me, even though you don’t love me

Coloco a mão em meus seios enquanto seguro o sutiã, deslizando para os lados, o olho por baixo e mordo os lábios enquanto fecho meus olhos, abro e fecho os joelhos no ritmo da música, por fim tirando o sutiã e jogando na direção dele, fazendo o sutiã cair em sua coxa direita, ele não se move e muito menos muda a direção de seu olhar

Let me see you dance, I love to watch you dance, take you down another leve and get you dancing with the Devil

Deito no chão e com uma mão mexo em meu cabelo, a outra desço até minhas coxas e fico brincando com elas, os olhos no teto espelhado, subo minhas mãos até meu quadril, mexendo ele de um lado para o outro no chão, desço um pouco minha calcinha da cintura mas não o suficiente, viro minha cabeça para o lado e deixo uma lágrima cair enquanto encaro seus profundos olhos azuis

Take a shot of this but I’m warning you, I’m on that shit that you can’t smell baby, so put down your perfume

Me viro de lado no palco e bato minha cintura no chão conforme as batidas da música, brinco com meus seios e faço minha mão dançar nas minhas curvas, da cabeça aos pés, levanto minha perna direita e a deixo completamente esticada por alguns segundos, até descer com ela novamente, me apoiando na mão esquerda e ficando de pé

Listen, ma, I’ll give you all I got, get me off of this, I need confidence in myself, listen, ma, I’ll give you all of me give me all of it, I need all of it to myself, I need all of it, so tell me you love me

Volto ao pole e me entrego por completo, mexendo meu corpo de toda forma que eu sei, e nesse momento há somente eu e ele naquele salão, toco na ponta dos meus pés e subo lentamente, balanço minha cabeça a jogando para um lado e para o outro, meus braços envolvendo meu corpo

Only for tonight, only for the night even though you don’t love me, just tell me you love me, I’ll give you what I need, I’ll give you all of me, even though you don’t love me

Ando lentamente até a ponta do palco enquanto percebo que a música está chegando ao fim, desfilo lentamente com mais ginga do que o normal, passando as mãos por todo meu corpo, me abaixo e sento no chão com as pernas levemente abertas e para fora do palco, enquanto dublo com o cantor a última frase da música

even thought you don’t love me.

 

Me visto novamente e ele já não está mais lá, apenas meu sutiã em cima da minha cadeira. A caixa aparece novamente e vem falar comigo.

— Eu nunca o vi dessa forma. Você conseguiu uma vaga, todo domingo às 23h, se conseguir mais clientes ele te passa para sexta e sábado também. Boa sorte.

Estava incrédula e entusiasmada ao mesmo tempo, mal sabia que sorte era o que mais iria precisar.

Felicidade.

Felicidade. O que é felicidade pra você? Escrevo esse texto esperando ele me responder.. porque felicidade é quando ele me responde. Pra mim é saber que mesmo podendo escolher uma pessoa que vai estar ao lado dele em 20 min, ainda assim, ele me escolheu, sabendo que para estar ao seu lado talvez leve horas, meses, anos. É ver o rosto dele, depois de acordá-lo com uma ligação, e perceber que suas bochechas estão rosadas de sono, e seus olhos estão brilhando ao me ver. É querer saber o que ele vê em mim de tão bonito, de tão interessante. É ele ficar bravo quando me rebaixo, quando digo que sou feia, que não sou magra, que talvez ele não goste quando me veja frente a frente, e então ele vai e me manda algo da internet, que diz que ele não vê apenas um corpo em mim, que cada movimento que eu faço, pra ele, é pura beleza. É o jeito carinhoso que ele me chama de amor, de doce.. ah, quando ele me chama de “docinho”, eu me derreto toda, e mal sabe ele que naquele momento eu sou tão dele que me falta o ar. É o jeito que ele fica em silêncio apenas me olhando e solta um sorriso, e quando pergunto o que houve, ele apenas diz em um tom mais normal possível, que só estava me olhando. É o jeito que ele se afasta e me dá espaço pra perceber quando sou grossa com ele, é o jeito que ele aceita minhas desculpas. Porque ele é a pessoa mais doce, gentil e carinhosa do mundo e ele não merece que eu seja grossa, e eu tenho vontade de pedir desculpas mil vezes mais. Eu já falei do sorriso dele? Quando ele sorri meu coração para. É o jeito dele me pedir pra não escrever sobre ele, que me da mais vontade ainda. É o jeito que ele dedica seu tempo, sua madrugada, para ficar lendo meus textos antigos, e depois voltar dizendo o quanto eu sou inteligente e que deveria voltar a escrever.. “não sobre mim amor, sobre seu cachorro, eu adoraria ler um texto seu mesmo que fosse sobre o seu cachorro.” É sentir falta de ar só com o pensamento de perdê-lo, de nunca ver ele pessoalmente, de um dia ele deixar de me amar. E se isso acontecer, eu o deixarei ir, ele merece uma felicidade que eu ainda não sei se consigo proporcionar, mas é o que mais quero. É quando ele me acalma só com palavras, é a forma como ele me ama de longe. Como ele me ama sem me tocar. Como ele está aqui.. mesmo quando não está. É o motivo de eu estar chorando de felicidade agora escrevendo esse texto e pensando nele e em como eu nunca amei ninguém dessa forma, e achei que nunca fosse amar. É o fato de nós dois sermos tão quebrados, e ainda assim se encaixar. É eu querer pegar a dor dele só pra mim, pra nunca mais vê-lo chorar. Porque ele não merece.. ele merece o mundo, e eu pretendo dar. É a incerteza do futuro, mas não ver mais ninguém lá na frente, só nós dois. É o jeito que ele fica tímido quando falamos de sexo, e me conta que nos sonhos dele, não há só as mil formas que ele pode me sentir na cama, mas sim as tardes de mãos dadas nas ruas, as noites onde eu assisto, e ele dorme no meu colo. Ele cozinhando, eu o amando de longe. As viagens que iremos fazer, que ele já planejou para os próximos 10 anos. A forma que os meus sonhos se transformaram em nossos sonhos. Eu disse pra ele que é mais fácil escrever quando nos sentimos tristes do que quando nos sentimos felizes, por isso tenho apenas textos tristes de muitos anos atrás. Mas, ei, olha o tamanho desse texto.. eu acho que é fácil escrever sobre você.

 

 

p.s.: eu sei, você pediu pra não escrever sobre você.. prometo que esse é o único, mas se você é a razão de eu voltar a escrever, eu não podia deixar esse texto de fora.

 

a felicidade é ele.

               K. D.

Os textos da minha vida.

Não há garantias de que vá funcionar algum dia. Não há garantias de que vai passar algum dia. É tudo uma incerteza, justamente como a caneta azul resolveu falhar agora, no começo do meu texto, e tive que trocar por uma rosa, e o texto logo de cara fica bagunçado. Mas de perto, com os borrões, da pra ver que não foi escolha minha. Assim é a vida. Não sei dizer se infelizmente ou felizmente. Não dá pra saber se a caneta vai falhar no início, meio ou fim,  ou então, as vezes, do começo ao fim. Não tem como escolher.

Os teus erros são azuis, o que é mais usado…Teus acertos são rosas, o que não é muito usado, tuas escolhas aparecem na cor preta e tuas certezas no vermelho, e por aí vai. Às vezes é um inferno, às vezes é bom, tem horas que ficamos sem palavras, tem horas que as lágrimas caem no papel e deixa tudo borrado. Aí tu olha e percebe que praticamente o texto todo tá borrado.

Chega no meio, e você já não sabe o que fazer direito, tá tudo uma bagunça, você não faz nada certo e só usa as canetas azul e preta. O texto tá sempre borrado. Você mal consegue ler. Você já tá cansado de chorar… E chega no final, você já tá cansado de escrever. Sua letra está irreconhecível, porque você já não é o mesmo.

Tanto faz que cor de caneta usar agora, tanto faz como a história vai terminar, mas você sabe né? vai terminar. Quando você piscar, acabou. E você só vai saber se ficou bom, quando colocar um ponto final e ler novamente.

Ficou uma merda. Amassa e joga no lixo.

Escrever é minha terapia

Me perguntar o motivo pelo qual escrevo, seria a mesma coisa do que eu perguntar o motivo pelo qual você respira. Eu apenas faço. É claro que, na maioria das vezes ou quase sempre, é difícil. Não é só chegar e jogar qualquer palavra em um papel em branco. Tem dias que chega a ser impossível, mas aí vem essas madrugadas como hoje, e tudo melhora. É quase como uma necessidade, escrever um conto, escrever um livro, uma história ou simplesmente como estou me sentindo naquele mês. Isso ajuda, ajuda a não sufocar, me ajuda a não desmoronar, porque veja, se eu não conseguisse escrever o que eu sinto, eu não sou eu mesma, eu não sou real. É como se a vida estivesse passando e eu não estivesse aproveitando aquele momento especial, como se eu não fotografasse o momento. A escrita é a minha fotografia, é o que faz esses momentos ficarem na minha memória. Fazem a dor nos braços, nos dedos, os calos, faz tudo valer a pena. Não importa onde eu faça ou como, escrevendo a caneta no papel, no notebook, no celular como estou fazendo agora, o que importa é escrever. E no final do dia, se eu não escrevi alguma coisa, nem sequer uma frase, por mais pequena que seja, no final esse dia não foi bom. Não será. Não vai ficar na minha memória. É um dia perdido. E isso, bom, isso eu não aceito na minha vida.